Sanepar não comparece à audiência pública em Colombo e vereadores reagem com repúdio formal
Convocada para responder sobre a crise recorrente de abastecimento de água no município, a companhia enviou um ofício no lugar de representantes; promotor do MP acompanhou os debates e sinalizou possíveis medidas institucionais
A ausência da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) marcou a audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (9) na Câmara Municipal de Colombo, gerando forte repercussão entre parlamentares, autoridades e representantes da sociedade civil. O encontro, convocado para discutir demandas relacionadas ao abastecimento de água, à coleta e ao tratamento de esgoto no município, foi conduzido pelos vereadores Joel Bueno (PSD) e Ney Marcelino (Podemos).
Embora formalmente convocada, a Sanepar não enviou representantes ao plenário. Horas antes do início da audiência, a companhia encaminhou à Presidência da Câmara o Ofício nº 023/2026/GP, com respostas por escrito sobre as possíveis causas das interrupções no abastecimento. A postura foi classificada pelos vereadores como "desrespeitosa" e "inadmissível".
"Chegam várias reclamações de cidadãos sobre o serviço prestado pela Sanepar em Colombo. Uma das questões mais frequentes é a interrupção no fornecimento de água. Temos adotado as medidas cabíveis e, quando necessário, ajuizado ações."
— Paulo Conforto, promotor de Justiça da 5ª Promotoria de ColomboO promotor de Justiça Paulo Conforto, do Ministério Público do Paraná, acompanhou os debates e ouviu as reivindicações apresentadas pelos parlamentares e pela população. Ao final, sinalizou que o MP poderá avaliar novas medidas diante da postura da concessionária.
Os problemas relatados na audiência não são novidade. Em março deste ano, moradores da Rua dos Antúrios, no bairro Jardim Monte Castelo, ficaram quatro dias consecutivos sem água. À época, a Sanepar atribuiu o desabastecimento a quedas de energia na estação que abastece a região — justificativa que moradores contestaram, afirmando não receber respostas claras da empresa.
O vereador Anderson Prego (PT) lembrou que Colombo investiu R$ 55 milhões na transposição do Rio Capivari e questionou o paradoxo: o município capta água para outras regiões da Grande Curitiba e, ainda assim, enfrenta interrupções frequentes no próprio abastecimento. Já o vereador Ratinho (PSD) classificou como inadmissível que, em 2026, o município permaneça longos períodos sem água e energia elétrica.
"Até quando iremos fazer indicações nesta Casa para solicitar o básico do básico? Essa companhia ganhou uma licitação para explorar o serviço em nossa cidade por 30 anos."
— Vereador Ademar Costa (União)Na sessão ordinária realizada na terça-feira seguinte (14), o vereador Anderson Prego formalizou moção de repúdio à ausência da Sanepar. A Câmara deve encaminhar à empresa os questionamentos levantados durante o encontro e não descarta novas convocações ou a adoção de outras medidas legais cabíveis.
A iniciativa que originou a audiência partiu do Requerimento nº 01/2026, de autoria do vereador Ney Marcelino (Podemos), aprovado em votação única pelo plenário em março deste ano. O objetivo declarado era abrir um canal de diálogo direto entre o Legislativo, a concessionária e a população — canal que, na prática, a Sanepar optou por não utilizar presencialmente.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece normas de proteção...
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